
Neste fim de semana fui convidado por um amigo a conhecer a Região do Vale do Ciclo do Café, especificamente Vassouras, Miguel Pereira e Paty do Alferes. A Região teve papel importante na época imperial por ser o principal pólo de produção econômica na época.
No final do século XVIII, o café conquista o mundo, tornando-se o principal produto de comercialização do Brasil. A expansão da lavoura cafeeira começou nas regiões montanhosas do sul fluminense, próximas da capital . Naquela época a procura de terras se dava ao longo do Rio Paraíba do Sul, pois as terras eram mais férteis.
Em 1782 surge a Sesmaria de Vassouras e Rio Bonito. Em 1821 é criada a Vila de Paty do Alferes, da qual o povoado de Vassouras fazia parte. Nesse tempo o café começa a ser cultivado na região, o Café toma o lugar da mata Atlântica, as vilas crescem, as fazendas se multiplicam. Surge uma nova aristocracia rural: os Condes, Viscondes e Barões do Café
Em 1857 Vassouras é elevada a condição de cidade. Nesse período o café já era o maior produto de exportação brasileiro e Vassouras o centro de sua produção e comercialização vivendo seu apogeu.
De início, a lavoura cafeeira desenvolveu-se com base na grande propriedade de monocultura e na utilização do trabalho escravo, mas com a proibição desta atividade em 1850, os fazendeiros foram obrigados a substituir os escravos pelos trabalhadores livres assalariados – imigrantes europeus que tinham o incentivo do governo para trabalhar nos campos de cultivo.
Na segunda metade do Século XIX a produção de café na Região Sul Fluminense começa a entrar em declínio. Na época só se utilizava a queimada para preparar a terra, e a exploração sem consciência ocasionou erosão do solo que secou as nascentes, a devastação modificou o clima e marcou o fim das grandes lavouras de Café na região.
Com a decadência desta região São Paulo se transforma na capital oficial do café, tendo como pólos principais às cidades de Campinas e Ribeirão Preto.
As fazendas do Ciclo do Café

Hoje, o que sobrou desta rica trajetória que foi responsável por vultosas mudanças sócio-econômicas e culturais em nosso país, está disponível para visitação. Depois de uma época de decadência, os descendentes daquelas famílias e/ou os novos proprietários destas fazendas, investiram em preservação e restauro, formando uma rede de visitação, com opções de hospedagem, almoços, lanches e visitas guiadas. Quando for visitar esta fazendas não esqueça de se programar com antecedência pois a maioria delas exigem agendamento prévio e costumam estar abertas para visitação somente nos fins de semana.
Maiores Informações:
http://www.valedocafe.com.br/fazendas.htm
http://www.preservale.com.br/
Vassouras
Cidade dos Barões do Café. Além do Centro Histórico e da Casa de Cultura, um programa imperdível é a visita ao Museu Casa da Hera, onde podemos conhecer mais a fundo o estilo de vida e de moradia da elite cafeeira dos tempos do Império.
Vassouras foi o centro urbano de maior projeção no Vale do Paraíba durante o ciclo cafeeiro, sendo inclusive conhecida como “Terra dos Barões”. Foram erguidos casarões, palacetes, hotéis e um teatro.
A implantação da sede obedeceu a padrões característicos do período do café, com ocupação diversificada entre zonas altas e baixas, cujo pólo central é a praça de grandes dimensões que abriga a igreja matriz.
Conjunto Urbanístico e Arquitetônico

Conjunto de construções do séc. XIX em ruas e praças singularmente alinhadas acompanhando a topografia do terreno. O acesso é pela rua Otávio Gomes, e tem como ponto culminante a Praça Barão de Campo Belo. As principais atrações do conjunto são o Chafariz Monumental, Igreja Matriz, Paço Municipal, Solar do Barão de Vassouras, Palacete Itambé, prédios do Fórum e da Antiga Santa Casa, Solar do Barão Massarambá, Antiga Estação Ferroviária. Destaque também para as palmeiras e figueiras imperiais e o calçamento histórico preservado.
Praça Barão de Campo Belo

Construída em 1835 a pedido do Barão de Campo Belo. Só foi totalmente concluída em 1857, quando foram plantadas as palmeiras e construídas as calçadas. O projeto criou um grande tapete verde ascendente em direção à Igreja Matriz cercado de palmeiras imperiais, com canteiros demarcados por arbustos recortados, bem ao gosto da época. No século XX foram colocados o lago, as demais árvores e os bustos. Um dos principais marcos históricos da cidade.
Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Teve sua origem em pequena capela erguida em 1828 pelo Barão de Ayuruoca. Sua forma atual só foi atingida em meados do século XIX.
Chafariz Monumental

Construído em 1845, todo em cantaria, segundo projeto do arquiteto espanhol D. Joaquim de Souto Garcia de la Veja.
Casa de Cultura Presidente Tancredo Neves

O prédio foi construído por volta de 1845 no estilo neoclássico do século XIX. De 1872 até 1908 funcionou com o nome de Biblioteca Popular de Vassouras. Em 1935 Maurício de Lacerda, Pai do Governador Carlos Lacerda, colaborou na sua restauração e doou ao seu acervo livros da sua coleção particular. Com a sua morte em 1959 a Biblioteca recebeu o seu nome. A Prefeitura adquiriu o imóvel em 1978 criando a Casa de Cultura para abrigar a Biblioteca e o Arquivo Público de Vassouras e em 1994 em homenagem ao ex Presidente da República, recebeu o nome de Casa de Cultura Presidente Tancredo Neves.
Funciona como posto de informações turísticas, sala de exposições e Sede da Secretaria de Cultura. No térreo você pode ver um painel com fotos e informações sobre as fazendas históricas da região, além de uma sala de exposições, no segundo andar fica a Biblioteca e mais uma feira com produtos da região.

Paço Municipal / Prédio da Prefeitura e Câmara Municipal

Construído a partir de 1849 para servir a Casa de Câmara e Cadeia, foi concluído em 1874. Em 1934, a Coletoria, o Júri e a Cadeia foram transferidos para o prédio do Fórum, ficando o Paço Municipal para uso exclusivo da Prefeitura e Câmara Municipal.

Museu da Chácara da Hera

Antiga residência particular que virou museu em 1965. Em seu acervo destacam-se pinturas a óleo e gravuras francesas, mapas, álbum de poemas, peças de vestuário, mobiliário, objetos antigos e biblioteca com cerca de milhares de jornais e livros da época do Império. Chá Imperial/ Teatro Interativo são oferecidos no último sábado do mês (maio /outubro). Reserva antecipada.
Museu da Casa da Hera:
Rua Dr. Fernandes Júnior, 160 – Centro – Vassouras/RJ horário para visitação: quarta a domingo de 11h às 17h. Tel: (24) 2471-23 42.